7 de dez de 2010

AUTO-OBSERVAÇÃO

  No mês passado estava na Região Amazônica, dando palestras sobre a solução para álcool e outras drogas numa Conferência do Amor Exigente. Ouvi uma estória que gostei. Dizem que alguns marinheiros que chegavam da Ilha Marajó tinham usado toda a sua água potável. Estavam morrendo de sede. Mandaram uma mensagem pelo rádio dizendo que precisavam imediatamente de água. Receberam a resposta: “Jogue o seu balde na água porque ela é potável”. A força do Rio Amazonas colocou água fresca por muitos quilômetros no mar.
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  A vida é um banquete e a tragédia é que nós morremos de fome e de sede. Sabe por quê? Porque vivemos numa lavagem cerebral. O teste é perceber que sofremos quando nossas crenças e convicções são atacadas. Ficamos chocados, reagimos emocionalmente e estamos prontos para morrer por uma idéia que não é nossa. Nós não queremos enxergar. Temos medo de perder nossas convicções que freqüentemente são de nossos pais, dos estudos, do ambiente, que quase sempre estão ultrapassadas.
  A maneira de corrigir nossas decepções é a auto-observação. É necessário observar tudo dentro de nós e ao nosso redor.  Tereza de Ávila falou que é bom viver como fossemos uma terceira pessoa. “Não sou eu, mas me identifico com o outro.” Seria bom viver como o azul dos céus. As nuvens vêm e vão, algumas são escuras outras brancas, algumas são grandes outras pequenas. Com a auto-observação nós percebemos quem somos.
  Quando nos despertamos, prestamos atenção e observamos. Vemos que não precisamos consertar as coisas. Elas retificam-se. Devemos relaxar e deixar o mundo caminhar. Faz tempo que aprendi que não mudo. Tenho as mesmas idéias, erros e faltas que tinha há 80 anos atrás. Quando relaxo, eu vejo que coisas mudam e melhoram. Aprendi que não é bom forçar idéias. Deixem-nas em paz. Falem que tudo é azul. Sejamos o céu azul e deixemos as nuvens mudarem naturalmente. Sejamos o que nós somos.
  Uma voz falou a Santa Catarina: “Eu sou o que sou e amo você que é um não-eu”. Sejamos como cientistas que só observam o formigueiro. Eles não tentam mudar a vida das formigas. Eles apenas observam.
  Aprendendo a auto-observação, experimentamos um milagre. Sem esforços, mudamos corretamente.  Sócrates disse: “A vida inconsciente não vale a pena ser vivida”. Vidas mecânicas, pensamentos mecânicos, emoções mecânicas, causam reações mecânicas. Não é a maneira ideal de viver. Vamos observar como vivemos e nesta observação passiva, melhoramos nossa vida.


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